Lá vamos nós… Rumo à Argentina!

Bora lá registrar o começo dessa aventura! Acho que o planejamento da trip até a mesma propriamente dita merece um post à parte afinal… foi um longo capítulo de constantes desafios até enfim conseguir chegar ao primeiro destino. Vale lembrar que, para um típico escorpiano, há de haver muita emoção envolvida no processo.

 

A princípio eu só sabia o principal: o que eu queria e precisava era me perder um tempo pra me achar, vivendo e absorvendo tudo que me cabia e merecia. Um tempo pra deixar fluir ao vento, vivendo intensamente cada momento e PRESENTE permitidos pelo universo. Em outras palavras, o que eu queria era viajar e voar por aí e… como não estou nessa a passeio, tratei de buscar e criar todas as oportunidades possíveis. Aprendi há muito que o planejamento deve existir mas… Uma reserva considerável é necessária para os imprevistos regidos pela força universal. Assim, eu tracei o meu primeiro objetivo: Chegar até Iquique no Chile, cumprindo a minha promessa de voltar com tempo e sem pressa, para aproveitar novamente e intensamente aquele incrível parque de diversões para os apaixonados pelo voo livre, banhado pelo Pacífico e coberto pelo indescritível céu do Deserto do Atacama: Se pode voar e treinar até as 21h, todo santo dia. 😀

Partimos então para o roteiro, que eu não tinha a menor ideia. Eu só queria ir. Planejei partir logo após o carnaval e me juntei à trip e ao roteiro de um amigo, que tinha como objetivo chegar até o ‘Fim do Mundo’. Como eu tinha um longo caminho e tantas providências antes de partir, deixei o roteiro totalmente por conta dele e segui com os meus desafios. Em 21 de fevereiro nos reunimos e fechamos o roteiro: partir na outra semana e chegar até Ushuaia, em uma viagem de 60 dias: 20 dias viajando e 40 dias aproveitando.

As providências foram seguindo e se multiplicando: Na outra semana a casa ficou cheia me impossibilitando de partir, na oooutra surgiu a formatura da minha sobrinha amada e… entre tantos afazeres e outros imprevistos e integrantes que surgiram pelo caminho, enfim eu tinha a data de partida: Dia 20 de março – 1 mês após o roteiro definido. Claro, tinha que ter uma despedida e voo especial no dia anterior e… lá vai eu com o Benito se jogar bonito para um dia mágico de despedida no céu de Santa Rita. Só gratidão e emoção. O voo foi lindo, o dia longo e emocionante, compartilhado com amigos especiais. Pós voo, depois de fechar a despedida com o céu mágico e noturno da rampa, tivemos problemas com o carro na descida da rampa e entramos numa roubada gigante. Resultado, chegamos em casa quase meia noite, depois de muita tensão e altas emoções.

Com os atrasos e intempéries, eu não consegui fechar as últimas providências e dar aquela última analisada em todo o pouco necessário que eu levava para a minha longa aventura e… somado ao stress da roubada anterior, abortei a viagem. Não queria iniciar a viagem com aquela energia e correria. Há essas alturas, depois de tanta espera e imprevistos, achamos melhor meu parceiro de trip seguir viagem e… combinamos nos encontrar no fim de semana na Argentina, em Buenos Aires. A fim de eliminar todo e qualquer imprevisto comprei a passagem, para o dia 23 de março. Agora sim, eu tinha uma data da viagem e… mais desafios pela frente. Não bastasse tudo, no meio da loucura pré-viagem o Dodge, meu amicão que nos acompanhava há 13 anos, já velhinho… ficou debilitado e lá vai eu sentir a profunda tristeza e a dor da partida e despedida de um ser tão amado, companheiro e sincero, num momento já a flor da pele. Foi um momento bem triste e delicado no processo e… Focando no lado positivo, entendi o porque da roubada anterior e fui grata ao universo por ter me segurado e ter me dado a oportunidade de estar ao seu lado, no momento de sua partida para o seu voo eterno. Gratidão por tudo Dodge, esteve sempre ao meu lado, meu eterno amicão!

Correria nos finalmente, despedida, muita emoção e… com aquela dor de barriga (que me acompanhava já há 1 semana) e um mix de sensações, lá vai eu rumo à São Paulo. Segui até o aeroporto. Não, minha viagem não seria de avião, fui pelo tal carimbo da vacina internacional de febre amarela – providências até os finalmente rsrs. Enfim embarco eu, minha mochila e o Zorro na noite do dia 23 de março em São Paulo, num ônibus da JBL rumo à Buenos Aires, com previsão de 18 horas de viagem. A minha aventura é com tempo e sem pressa, lembra? Por isso, desde o início eu tinha a certeza de que essa longa viagem de bus teria um papel imprescindível na trip. Assim foi e… assim que o dia amanheceu ainda rumo à Buenos Aires, as fortes emoções invadiram a trip: Era a vez do meu parceiro de trip trazer seus imprevistos e… lá vai ele pra outro rumo, outro roteiro. Ou seja, à essas alturas eu não tinha mais o parceiro de trip e muito menos o roteiro, que eu tinha deixado toda a pesquisa por conta dele. Que ótimo! 😀

Antes de me desesperar me coloquei a pensar… No tanto que o universo fazia questão de testar as minhas vontades e limites sempre… No quão que eu havia me inspirado nos anos anteriores em todas aquelas histórias e pessoas que se aventuravam voando e viajando por aí. Enquanto as paisagens desfilavam pela janela, os pensamentos e possibilidades se multiplicavam na minha mente. Pensei em todos os aplicativos e conhecimento que eu tinha juntado pra vencer os desafios e bater asas até o meu sonho e… me lembrei que eu ainda tinha o mundo nas minhas mãos: a viagem era longa e para minha sorte eu tinha um bom tempo com internet no celular. Tempo suficiente pra pesquisar tudo que eu precisava pra decidir sobre meu novo roteiro e viagem, antes de chegar em Buenos Aires. Comprei um mapa pra rabiscar e… Bora lá se aventurar!

Segui a pesquisar e resolvi tentar o couchsurfing, buscando pessoas e conexões propícias em Buenos Aires. Foi minha primeira experiência com o aplicativo e não podia ter sido melhor! Com toda receptividade surgiu o Cláudio, comprovando todas as boas recomendações de outros couchsurfers com sua experiência. A partir desse momento já estava tranquila pois já tinha um porto seguro definido em Buenos Aires e o resto fluiria depois. Finalmente me entreguei à viagem. Há essas alturas já estávamos perto da fronteira e foi lá que a viagem e as aventuras se intensificaram!

Rolou um imprevisto na fronteira e… por um lapso havia um menor de idade sem os pais, sem o tal carimbo necessário da Polícia Federal, que já havia ficado pra traz. Resultado: ficamos bem mais de uma hora pra desenrolar e sair da Aduana, esperando que a família protagonista resolvesse a questão para seguirmos. Vale um aplauso especial para a equipe da empresa JBL, Torres e seu acompanhante que conduziam a viagem. A partir de lá se pode constatar a preocupação de ambos em solucionar cada problema e imprevisto que surgiu e… dali pra frente aos poucos nos transformamos em uma breve família e a viagem que ainda era longa ficou beem mais leve e divertida.

Por volta das 16h da tarde chegamos (atrasadésimos e moooortos de fome) no restaurante mais próximo que havia após a fronteira de Uruguaiana, no meio do nada! Devo meu muito obrigado ao amigo que me salvou e pagou o meu almoço mais caro, mais frio e mais desejado da viagem (não aceitava cartão, nem dólares e… era o que eu tinha antes de fazer câmbio). A viagem seguiu e novas amizades foram se formando a medida que as paisagens percorriam lá fora. Um abraço e gratidão especial à Marisol, Argentina que vive no Brasil, que me acompanhou e muito meu divertiu durante toda a viagem, agregando muitas dicas preciosas de Buenos aires.

Ao longo da viagem também compartilhamos apoio à mãe jovem que estava com seu bebê febril durante a viagem. Os motoristas acionaram apoio médico à polícia Argentina e tão logo paramos para que o jovem (e belíssimo) médico analisasse o baby. Nesse momento Marisol também se diz febril e a gente se divertiu e seguiu. Mais algumas horas e outra parada inusitada: esperávamos gentilmente por mais longos minutos até que a carona de outra passageira à buscasse na beira da estrada. Resumindo, foram muitas as manifestações de paciência, de apoio e união do grupo ao longo do caminho. Marisol – já amiga de longa viagem, muito me apoiou e chegando na rodoviária me explicou e levou até o REMISE (cia de taxi mais segura na Argentina segundo ela) e ainda fez questão de pagar a minha corrida, para que eu não precisasse me preocupar com câmbio naquele momento, se colocando à disposição para tudo que eu precisasse. Assim desembarquei em Buenos Aires em 24/03 às 19h, com toda a segurança e gratidão por todas aquelas experiências e vivências.

Marisol querida, nos vemos na volta para uma aventura no Brasil! 😉

Hoje eu me entreguei de corpo e alma à liberdade, me soltei de tudo que me prende.  Me declarei livre. Livre dos meus medos, das minhas amarras. Hoje eu me joguei com o coração explodindo de gratidão e especialmente à minha família e aos meus amigos que me apoiam e vibram com as minhas loucuras. Enquanto minhas asas descansam eu troco – temporariamente – a minha mochila de parapente, pela mochila que leva o pouco que elegi necessário para sobreviver nessa intensa aventura. Vou ali pra um encontro marcado com o acaso, levo todos os que amo no coração e… Certamente serão minha força, minha inspiração e saudade em todos, TODOS os momentos. Prometo sempre que o universo permitir e tudo fluir, dividir com vocês um pouco dos lugares, olhares, experiências e merecimentos que me aguardam por aqui. Sigamos… Avante!

 

Próximo destino planejado: 3 dias em Buenos Aires
Aprendizado: As pessoas não fazem as viagens, as viagens é que fazem as pessoas! 😀

 

118 Views

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *